Blog do Yuri 
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Idéias e pensamentos postos à prova por uma mente viajante. Reflexões do cotidiano.

 

Sexta-feira, Janeiro 08, 2010

 


Me sinto preso
Como nunca havia antes
Preso por ti.
Por entre seus dedos
Eu me vicio
E em teus braços eu me calo
Na tua boca
Meu acalanto
E nos teus beijos
O calor de tua alma
Roçando na minha
E me fazendo ceder,
E me calo
Com teu abraço.

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Domingo, Outubro 04, 2009

 



Sabe, hoje eu estava refletindo sobre as minhas escolhas acadêmicas. Eu acho que nunca fui tão certo dos meus objetivos e nunca me dediquei tanto a uma certa área como estou fazendo agora. É engraçado como alguns valores mudam, as necessidades, as práticas, enfim toda sua postura comportamental acerca da graduação. Agora eu me vejo no meio de um mercado competitivo, com visão estratégica e sendo engolido por diversos cursos, os quais competem com as mesmas atribuições que as que eu escolhi.

Mas afinal o que eu escolhi? Respondo com muito orgulho de finalmente ter me definido e me encontrado na minha área de PP, comunicação empresarial com foco no público interno, ou seja, a comunicação interna (CI). Então vocês dizem: "ué Yuri, mas então você escolheu o curso errado, voce deveria estar fazendo jornalismo" e eu replico com o seguinte, o que faz um jornalista ser melhor do que um publicitário nesta área, ou ainda melhor o que é a comunicação interna? saibam que não é apenas fazer jornais, ou revistas voltadas para o publico interno. existe toda uma gestão de informações pertinites ao público interno da empresa. Enfim, disso falaremos depois.

A questão é por que um aluno de jornalismo é mais indicado para esse cargo de CI? se é pela redação digo que, nós de PP, temos tantas redações publicitárias ou matérias de português quanto um aluno de JO. Ok que são focos diferentes, mas eu sei que me qualifico no que diz respeito à redação. Sou tão capaz de redigir um texto quanto um estagiário (cargo ao qual que pertenço no momento) de JO. E digo que sou capaz com embasamento, pois eu passei pra uma assessoria d eimprensa, onde eu teria de fazer releases tão bem quanto qualquer jornalista, estagiário ou não. Então eu afirmo para vocês que eu tenho tanta capacidade quanto um estagiário de jornalismo para fazer aquilo que me determinam, e melhor ainda, eu sei da visão estratégica,de mercado, o que muitas vezes é esquecido pelos cursos de jornalismo, já que o foco maior é na escrita, redação.

Acredito que finalmente eu terei um pouco de paz, no sentido de conseguir achar um segmento de carreira que me agrade, comigo mesmo. Sei que naão terei descanso, são milhoes de livros apra ler, inclusive de outras áreas já que a comunicação interna é recente e a bibliografia não é bem definida. Mas de uma coisa eu tenho certeza, com o meu foco definido, tudo fica mais fácil. Nos próximos posts eu colocarei algumas definições desta minha área de atuação e quem sabe algumas idéias para serem postas em prática, ou que eu gostariam que entrassem, na empresa onde eu trabalho.

Enfim transformo esse blog em algo de valor para mim mesmo. Beijos à todos!
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Quarta-feira, Julho 08, 2009

 


Setembro

Não sei bem como começar a escrever. Deixarei um depoimento, um desabafo, uma esperança. Talvez seja exatamente isso, uma esperança. Que brota de uma base bem construída, para que não desabe uma obra bem planejada, bem executada. Os problemas existem e sempre vão existir como nos lidamos com eles é a questão principal. Nós temos de viver sob a luz do sol e da lua, infindáveis, sob as vidas que vão e vem. Temos que permanecer debaixo da chuva se nos for necessário, ou procuramos um abrigo quando convém. Essa base serve para isso. Nos abrigarmos quando a chuva for muita e não precisarmos ficar embaixo dela, apenas correr e saborear o momento em que cada gota cai no chão fazendo um barulho extremamente prazeroso de se ouvir, com o cheiro que se exala da terra molhada seguido de um vento frio, arrepiando a espinha, fazendo-nos envolver em um abraço quente para afagar nossa solidão, transformando em companhia. Ou mesmo para nos dar uma sombra nos dias quentes, onde possamos recostar e desfrutar de água fresca.

Porém à noite, nos separamos. Quando a lua chegar, não estaremos mais juntos, será inevitável. A lua de lá não é a mesma de cá e nos separam o caminho longo e denso por entre um mar tão temeroso. São luas tão distintas, principalmente porque não tenho a plenitude que tinha durante meu dia, ensolarado, chuvoso, ou até nublado do seu lado. Essa lua, no outro mar, dividirá nossos dias. Nossos dias de sol, nossas chuvas, nossa sombras, águas e abraços. Mas acredito, ou pelo menos quero acreditar, que mesmo sem a nossa comum proteção, sem o nosso teto, você e eu sobreviveremos. Faça sol ou chuva, plantaremos nossos pés (pelo menos os meus estarão com certeza) e aguardaremos o inicio de uma nova fase.

Quem sabe isso não foi um grande ensaio? Tudo não passou de um grande experimento, para sabermos se poderá dar certo, sob o ponto de vista, nosso. Creio eu que tudo, o sol, as estrelas, o arco íris, fazem parte de um grande cenário onde os atores são escolhidos para a próxima encenação. No palco vemos dois focos, um com um canhão seguidor, o outro com um spot fixo. Ele caminha e o outro fica. Gostaria que não fosse dado um fade out(movimento de luz, onde ela vai baixando até sumir) no spot fixo, pois ele não se apagará, não se for pela vontade do ator. Quem sabe do canhão? Ninguém sabe. Ele depende do ator, e só quem sabe da vontade dele é ele próprio. Ele pode compartilhar, mas pode ser turvo o jeito como fala, pois se inicia na arte do convívio a dois num palco sozinho. Quem sabe ele não se acostume e seja mais claro? Então depende dele, e somente dele, se apagará ou não. Mas agente espera que não se apague e não tarde a voltar para podermos unir nossas mãos e agradecer o publico que aplaude nossa felicidade de completar um espetáculo, muito bem produzido com um grande elenco (de dois) e grande cenografia, composta por toda as fases que qualquer dia pode nos dar.

Penso eu que essa passagem será breve. Queria poder não pensar nas coisas, na verdade não pensar em nada. Pensar acresce e acumula sentidos que gostaria de não ter, para não sofrer. Ser um ser sem fundamentos sentimentais, para poder passar despercebido, sem se importar. Não sou. Eu sinto, eu falo, eu choro, eu vivo. Creio que, aqui, deixo minha esperança plantada, pois quero acreditar que nenhum dia se passará com o encontro de outra pessoa. O palco não se preencherá com outro corpo, a base não se fará crescer em outro lugar, sob outro tempo. Quero deixar claro que espero. E quero saber se posso fazer isso tranqüilo, sem pensar em nada além de setembro, sem receios, sem dúvidas. Só o pensamento.

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Domingo, Julho 05, 2009

 



Chelidonium

nasce em mim uma semente
germina lentamente e cresce.
desabrocha.
dá frutos, folhas, flores.
tudo é otimo, tudo corre bem
não quero mais.
quero ser uma erva daninha,
que cresce se aproveitando,
que não sente, nao sofre.
cresce e vive como deus quer.
vem e vai, nasce e morre.
ninguem sente falta, ninguem dá falta.
ela não liga, na verdade, ninguem liga.
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Terça-feira, Junho 30, 2009

 



Meu mundo dentro dos seus

Hoje eu estava cansado, cansado como há muito não fico. Trabalhei o dia todo como de costume, mas alguma coisa foi diferente. Pode ter sido minha noite de sono, pode ter sido minha semana, podem ter sido varas razoes pelas quais não valem a pena serem citadas.
Pois bem, estava pensando como é engraçado o nosso mundinho. Sim o nosso mundo porque existem vários deles. Existe o mundo dos negócios, o mundo das musicas, o mundo da moda, o mundo da sua casa, o mundo da sua realidade e o mundo das outras pessoas, além dos outros, que se forem citados nunca acabaremos de falar. Hoje me deparei com uma cena muito curiosa, de mim para mim mesmo, onde eu tinha meus ouvidos tapados pelos fones de ouvido, onde tocava Cássia Eller, da qual sou grande fã, e achei engraçado ser interrompido por um barulho estranho para além do meu mundo, daquele mundo instante.
Ficamos fechados, concentrados que não nos damos conta do que acontece ao redor, ou não percebemos. Penso as vezes como é estranho saber que o nosso próprio mundo gira e tantos outros giram juntos. Como assim? Fácil. Enquanto você acorda as 8 da manhã para ir à feira, por exemplo, uma senhora em gramacho acordou as 5 e nesse exato minuto que você acordou ela estava voltando para casa após deixar seus filhos na escola municipal à 15 km da sua casa.
Mas voltando ao lance dos ouvidos, achei curioso ver como nos fechamos de tal forma a ignorar tudo que ocorre. Não sei se vocês fazem isso, mas eu quando escuto musica me sinto altamente contagiado pela melodia e pela letra a ponto de sair cantando aos 4 cantos, com pulmões cheios qualquer coisa que esteja tocando no meu celular. A ponto de ignorar o fato que canto mal, que minha voz é de taquara rachada, que as pessoas não precisam ouvir a mesma musica que eu, ainda mais comigo cantando. Mas mesmo assim eu ignoro todos esses fatos e continuo cantando e andando. Não tem nada mais divertido e entretido do que sair cantando pela rua e, quem sabe, até arriscando uns passinhos de dança.
Mais estranho ainda é estar na rua e ver uma pessoa dessas passando por você. No mínimo achamos que a pessoa é louca, mas eu considero um escape. Eu preciso de um momento meu. Nada melhor do que ouvir as suas musicas, as quais você se identifica, por qualquer razão, e cantar, dançar, se divertir consigo mesmo. Digo aqui que nosso mundo é mias divertido porque compartilhamos ele com as pessoas mais importantes do mundo, você mesmo e quem passa na rua. E porque ela é importante? Porque ela também sabe que faz a mesma coisa, e entende o porquê daquilo. Ela é importante porque nos lembra o quanto vale termos nosso mundo, e que podemos fazer parte de outros, mesmo que por alguns segundos.
A cada conversa que você escuta na rua você compartilha um pedaço de mundo seu e dos outros.


deu uma vontade de escrever.. nao sei nem se faz sentido o que eu escrevi, mas valeu por colocar pra fora algumas palavras. afinal compartilhar o mundo é tão comum!

beijos!

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Domingo, Junho 21, 2009

 


Uma vez um amigo me disse "vcs fazem muita tempestade num copo d'agua, pelo menos vcs tao juntos e podendo estar perto e gostando um do outro. Para com essas neuras, só estraga um relacionamento". E ele tem toda razão.
Por que temos que colocar problemas em tudo, ou pelo menos sofrer por antecipação?
É dificil ver seu mundo, ou a possibilidade dele se ruir. Que nós deveríamos aproveitar cada momento? Fato. Que nós não deveríamos nos preocupar com certas coisas no futuro? Fato. Que nós não conseguimos viver o presente sem se preocupar com o futuro, principalmente quanto aos sentimentos? Fato mor.
Sei que ultimamente as coisas tem acontecido num ritmo frenético. São trabalhos para entregar, estágios para procurar, trabalhos do trabalho pra fazer, mais estudos, mais diversão, mais lazer, mais se deparar com o fat que não podemos fazer tudo ao mesmo tempo e que não podemos ter tudo o que queremos e quando queremos. A vontade própria não acompanha a dos outros.

Esse texto parece meio confuso, mas faz sentido pra mim e, espero eu, que faça sentido pra pessoa à quem escrevo.
Sei que tenho andado carente todo esse tempo, mas preciso de tempo e preciso de colo. Eu sou assim, e sempre serei. Peço desculpas por não saber me controlar, mas é inevitável. Preciso de atenção, de carinho, mas principalmente preciso que demonstrem isso pra mim. Os outros não precisam saber, não precisam perceber. Dizendo isso não digo que você não demosntre, ou que eu não saiba, não podemos medir, mas eu posso sentir.

Sou dramático, sou explicito
Vivo tanto quanto posso
Abraço o mundo com as pernas
e passo por cima do tempo.
Sou indeciso, sou inseguro
não sei se fico ou se vou(clichê)
vejo o mundo como ninguem vê
e só o tempo me cura da dor
Sou carente, sou sofredor
sofro mais do que mereço
as vezes por burrice,
as vezes por antecipação.
E o tempo, vem em tempo de conter a solidão.

Sou assim.
Com medo, Com receio,
Com vida, Com felicidade.
Inconstância da vida,
que por (muitas) vezes me satisfaz.

Engraçado... essas coisas acontecem simplesmente. A inspiração bate e as coisas saem como que por mágica, ou sei lá o que.
Parece que sinto demais e sofro demais. Mas não é tao grave e nem tanto assim. É porque o ser humano gosta de colocar uma dificuldade. No meu caso é pra poder se sentir melhor quando passar por ele, e ver o quanto se lutou. Dá mais mérito pra conquista ;).
Bom, Não se assustem com as palavras, não é o que parece, só um desabafo com a vida. Não se preocupe pois não é assim que me sinto.

Esse post ficou um tanto sem sentido, mas que pensamento sobre a vida é linear? É assim que eu penso, e assimq ue me organizo se é que isso é possivel.
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Segunda-feira, Junho 08, 2009

 

É engraçado, mas ultimamente tenho tido vontade de escrever. Me veio essa vontade repentina e volta, dentro de mim, o fogo que causa a inspiração.

Não sei se todos vocês já sentiram essa ardência. É divina, maravilhosa e, sem pormenores, gostosa.

Mas ao mesmo tempo não sei o que escrever. Sei que se eu começar, não paro até terminar. Mas estou sem um tema definido. Um poema, um conto...sim.. um conto! mas nunca escrevi um, tentarei... que mal há?

Varandas falantes


Certo dia me deparei de cabeça baixa pensando na vida, ou em nada, porque quando se pensa na vida, coisa boa não pode ser. De um estalo pensei: vou sair. E saí. Sem rumo ou estrada, na minha frente só passavam os rostos desconhecidos e o vento. Era inverno e ventava um vento frio, suficiente para fazer as maçãs do rosto ruborizarem-se. Acabei chegando na vila de uma conhecida, muito frequentada por mim, e toquei o interfone:
- Alô?
- Oi Dinda é o Yuri, a Marcela tá ai?
- Ooooi Yuri, ela tá sim, entra ai.

Rumei portão adentro para seu encontro. Sempre que chego na casa dela sou muito bem recebido, tudo bem que sou recebido do lado de fora, e lá ficamos, e posso dizer que as tardes são melhores na varanda, do que dentro de casa, isso é um fato. Nada do que conversamos é próprio para os parentes ouvirem, confidenciamos segredos, falamos besteiras, palavrões e por ai vai, coisa de gente sem o que fazer. Por várias vezes perdemos a noção do tempo e nunca, mas nunca terminamos um único assunto, pois falamos tanto que sempre tem um assunto no meio de outro. Não falamos nada com nada, mas nos entendemos na nossa maluquiçe (se é que essa palavra existe). Tempo... não posso dizer que desperdicei o tempo com ela. Nenhum instante sequer é desperdiçado, mas sim aproveitado. Adoro esses momentos.

Mas enfim, voltando à história. Como sempre, ela não estava lá embaixo, mas me recepcionou da sua janela no terceiro andar e eu com o pescoço retorcido perguntei como de costume se podíamos conversar.
- Claro menino! Já vou descer, só vou colocar uma roupa.
Esse "só vou colocar uma roupa" da Marcela é perigoso, daí tiramos duas alternativas, ou ela vai sair de calça jeans e blusa preta, ou ela ainda vai tomar banho. Espero que seja a primeira.

Não tardou muito, uns 5 minutos talvez, e chegou. Nos abraçamos. O abraço dela... taí uma coisa que não dá pra definir. É um abraço de irmão, de amor, de carinho, de afeto, ou algo entre esses quesitos. Enfim o abraço dela foi como de costume, acolhedor.

Como vou definir, ou pelo menos listar os temas abordados na conversa? Bem com uma única palavra: IMPOSSÍVEL.
Não dá pra listar o que foi dito. Nós sempre pensamos que deveríamos gravar as nossas conversas, pelo menos saberíamos o assunto anterior pra poder acabar. E nunca sabemos que horas vamos acabar a conversa o que é o mais perigoso.

Cheguei por lá o sol ainda estava no céu, então deveriam ser umas 3 ou 4 da tarde e quando demos por nós a lua já tinha tomado o lugar do sol, portanto passavam das 7, ou seja, perdemos a noção do tempo, como sempre.

- (onomatopéia de susto) Marcela!! Que horas são?
- Cara, não faço idéia!
- Cacete! São mais de 7! Tenho que ir pra casa, minha mãe ta me esperando pra lanchar com ela!
- Então vá “homi”!
- Me leva no portão?
- Sim, vamos andando.

E nesse “vamos andando” são mais uns 15 minutos antes de levantar. Terminamos um assunto, se é que isso é possível, até chegar a um ponto que não dá mais pra falar sem andar. Nos levantamos e rumamos o portão da vila. Sempre nos despedimos com “vamos marcar alguma coisa”. Claro... se cada vez que agente dissesse isso realmente marcássemos algo, não haveria tempo pra mais nada. Nos abraçamos e segui pra casa.

Agora o vento mais frio me bate no rosto, o tempo já tinha fechado e também não percebemos isso. Meu nariz é o primeiro a ficar gelado, mas logo passa pois sei que vale a pena sentir esse pequeno incomodo. Às vezes acho que essa é a minha terapia. Uma tarde serena, conversando, rindo, acima de tudo, me divertindo. Poderia fazer dessa minha ocupação, pena que não pagam por isso.

Subo a ladeira no caminho de casa, caminho que sempre fiz, desde os tempos de colégio. E meus pensamentos são vagos de novo. Ao menos coloquei pra fora algumas palavras com sentido.

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Terça-feira, Março 10, 2009

 



Gostaria de poder começar de uma forma amigável, talvez risonha, mas a vida nem sempre é assim. O real motivo de criar esse blog é, primeiramente, um desabafo aos momentos da vida e no momento a vida não está às mil maravilhas. Existem muitas coisas acontecendo, muitas decepções, muitas expectativas, sofrimento e alegrias. Sim alegrias, a vida não é feita somente de decepções! =D

É dado o momento que conseguirei expressar minhas idéias e meus pensamentos e esperoconseguir fazer isso regularmente, o que duvido muito, mas tentarei, prometo! Começemos com algo bem simples, uma música talvez? que possa transmitir o que sinto?... Mas o que exatamente? Melhor ainda... Qual? Não, música não é uma boa, definitivamente.

Acho que o que melhor se traduz é um conto machadiano! Não, eu não gosto de Machado, mas trabalhei com uma peça de 5 esquetes dele e acreditem, ela se traduz em muito. Enfim farei um resumo, mas o texto segue abaixo para os que tiverem paciencia de ler, dou graças a Deus por não estar no lugar de vocês porque eu não leria. aushahsu

Noite de Almirante é o conto de uma moça, Genoveva, e um marinheiro, Deolindo, que se conhecem numa festa na casa de terceiros. Eles se apaixonam e pretendem fugir para viverem juntos para sempre. Ele largaria o emprego e ela abandonaria tudo. Mas ela não vai, seguindo o conselho de sua tia. Deolindo viaja à Serviço e ela fica, mas antes de ir eles prometem esperar o retorno do marinheiro para poderem ficar juntos novamente. O tempo passa, 10 meses, e ela acaba se apaixonando por um outro homem. Como prometido ele retorna e vai procura-la sem saber do ocorrido. Ele descobre toda a vordade desde a sua ausência.

Claro eu não vou entregar o final do conto pra vocês, então se quiserem saber o resto leiam o conto, ou se quiserem a peça volta em Abril, sim blog tb é uma janela publicitária =D. enfim é isso. Desculpem os erros de português, mas não estou nem ai! Divirtam-se!

NOITE DE ALMIRANTE

DEOLINDO VENTA-GRANDE (era uma alcunha de bordo) saiu ao Arsenal de Marinha e enfiou pela Rua de Bragança. Batiam três horas da tarde. Era a fina flor dos marujos e, demais, levava um grande ar de felicidade nos olhos. A corveta dele voltou de uma longa viagem de instrução, e Deolindo veio à terra tão depressa alcançou licença. Os companheiros disseram-lhe, rindo:

- Ah! Venta-Grande! Que noite de almirante vai você passar! ceia, viola e os braços de Genoveva. Colozinho de Genoveva...

Deolindo sorriu. Era assim mesmo, uma noite de almirante, como eles dizem, uma dessas grandes noites de almirante que o esperava em terra. Começara a paixão três meses antes de sair a corveta. Chamava-se Genoveva, caboclinha de vinte anos, esperta, olho negro e atrevido. Encontraram-se em casa de terceiro e ficaram morrendo um pelo outro, a tal ponto que estiveram prestes a dar uma cabeçada, ele deixaria o serviço e ela o acompanharia para a vila mais recôndita do interior.

A velha Inácia, que morava com ela, dissuadiu-os disso; Deolindo não teve remédio senão seguir em viagem de instrução. Eram oito ou dez meses de ausência. Como fiança recíproca, entenderam dever fazer um juramento de fidelidade.

- Juro por Deus que está no céu. E você?

- Eu também.

- Diz direito.

- Juro por Deus que está no céu; a luz me falte na hora da morte.

Estava celebrado o contrato. Não havia descrer da sinceridade de ambos; ela chorava doudamente, ele mordia o beiço para dissimular. Afinal separaram-se, Genoveva foi ver sair a corveta e voltou para casa com um tal aperto no coração que parecia que "lhe ia dar uma cousa". Não lhe deu nada, felizmente; os dias foram passando, as semanas, os meses, dez meses, ao cabo dos quais, a corveta tornou e Deolindo com ela.

Lá vai ele agora, pela rua de Bragança, Prainha e Saúde, até ao princípio da Gamboa, onde mora Genoveva. A casa é uma rotulazinha escura, portal rachado do sol, passando o Cemitério dos Ingleses; lá deve estar Genoveva, debruçada à janela, esperando por ele. Deolindo prepara uma palavra que lhe diga. Já formulou esta: "Jurei e cumpri", mas procura outra melhor. Ao mesmo tempo lembra as mulheres que viu por esse mundo de Cristo, italianas, marselhesas ou turcas, muitas delas bonitas, ou que lhe pareciam tais. Concorda que nem todas seriam para os beiços dele, mas algumas eram, e nem por isso fez caso de nenhuma. Só pensava em Genoveva. A mesma casinha dela, tão pequenina, e a mobília de pé quebrado, tudo velho e pouco, isso mesmo lhe lembrava diante dos palácios de outras terras. Foi à custa de muita economia que comprou em Trieste um par de brincos, que leva agora no bolso com algumas bugigangas. E ela que lhe guardaria? Pode ser que um lenço marcado com o nome dele e uma âncora na ponta, porque ela sabia marcar muito bem. Nisto chegou à Gamboa, passou o cemitério e deu com a casa fechada. Bateu, falou-lhe uma voz conhecida, a da velha Inácia, que veio abrir-lhe a porta com grandes exclamações de prazer. Deolindo, impaciente, perguntou por Genoveva.

- Não me fale nessa maluca, arremeteu a velha. Estou bem satisfeita com o conselho que lhe dei. Olhe lá se fugisse. Estava agora como o lindo amor.

- Mas que foi? que foi?

A velha disse-lhe que descansasse, que não era nada, uma dessas cousas que aparecem na vida; não valia a pena zangar-se. Genoveva andava com a cabeça virada...

- Mas virada por quê?

- Está com um mascate, José Diogo. Conheceu José Diogo, mascate de fazendas? Está com ele. Não imagina a paixão que eles têm um pelo outro. Ela então anda maluca. Foi o motivo da nossa briga. José Diogo não me saía da porta; eram conversas e mais conversas, até que eu um dia disse que não queria a minha casa difamada. Ah! meu pai do céu! foi um dia de juízo. Genoveva investiu para mim com uns olhos deste tamanho, dizendo que nunca difamou ninguém e não precisava de esmolas. Que esmolas, Genoveva? O que digo é que não quero esses cochichos à porta, desde as ave-marias... Dous dias depois estava mudada e brigada comigo.

- Onde mora ela?

- Na praia Formosa, antes de chegar à pedreira, uma rótula pintada de novo.

Deolindo não quis ouvir mais nada. A velha Inácia, um tanto arrependida, ainda lhe deu avisos de prudência, mas ele não os escutou e foi andando. Deixo de notar o que pensou em todo o caminho; não pensou nada. As idéias marinhavam-lhe no cérebro, como em hora de temporal, no meio de uma confusão de ventos e apitos. Entre elas rutilou a faca de bordo, ensangüentada e vingadora. Tinha passado a Gamboa, o Saco do Alferes, entrara na praia Formosa. Não sabia o número de casa, mas era perto da pedreira, pintada de novo, e com auxílio da vizinhança poderia achá-la. Não contou com o acaso que pegou de Genoveva e fê-la sentar à janela, cosendo, no momento em que Deolindo ia passando. Ele conheceu-a e parou; ela, vendo o vulto de um homem, levantou os olhos e deu com o marujo.

- Que é isso? exclamou espantada. Quando chegou? Entre, seu Deolindo.

E, levantando-se, abriu a rótula e fê-lo entrar. Qualquer outro homem ficaria alvoroçado de esperanças, tão francas eram as maneiras da rapariga; podia ser que a velha se enganasse ou mentisse; podia ser mesmo que a cantiga do mascate estivesse acabada. Tudo isso lhe passou pela cabeça, sem a forma precisa do raciocínio ou da reflexão, mas em tumulto e rápido. Genoveva deixou a porta aberta: fê-lo sentar-se, pediu-lhe notícias da viagem e achou-o mais gordo; nenhuma comoção nem intimidade. Deolindo perdeu a última esperança. Em falta de faca, bastavam-lhe as mãos para estrangular Genoveva, que era um pedacinho de gente, e durante os primeiros minutos não pensou em outra cousa.

- Sei tudo, disse ele.

- Quem lhe contou?

Deolindo levantou os ombros.

- Fosse quem fosse, tornou ela, disseram-lhe que eu gostava muito de um moço?

- Disseram.

- Disseram a verdade.

Deolindo chegou a ter um ímpeto; ela fê-lo parar só com a ação dos olhos. Em seguida disse que, se lhe abrira a porta, é porque contava que era homem de juízo. Contou-lhe então tudo, as saudades que curtira, as propostas do mascate, as suas recusas, até que um dia, sem saber como, amanhecera gostando dele.

- Pode crer que pensei muito e muito em você. Sinhá Inácia que lhe diga se não chorei muito... Mas o coração mudou... Mudou... Conto-lhe tudo isto, como se estivesse diante do padre, concluiu sorrindo.

Não sorria de escárnio. A expressão das palavras é que era uma mescla de candura e cinismo, de insolência e simplicidade, que desisto de definir melhor. Creio até que insolência e cinismo são mal aplicados. Genoveva não se defendia de um erro ou de um perjúrio; não se defendia de nada; faltava-lhe o padrão moral das ações. O que dizia, em resumo, é que era melhor não ter mudado, dava-se bem com a afeição do Deolindo, a prova é que quis fugir com ele; mas, uma vez que o mascate venceu o marujo, a razão era do mascate, e cumpria declará-lo. Que vos parece? O pobre marujo citava o juramento de despedida, como uma obrigação eterna, diante da qual consentira em não fugir e embarcar: "Juro por Deus que está no céu; a luz me falte na hora da morte". Se embarcou, foi porque ela lhe jurou isso. Com essas palavras é que andou, viajou, esperou e tornou; foram elas que lhe deram a força de viver. Juro por Deus que está no céu; a luz me falte na hora da morte...

- Pois, sim, Deolindo, era verdade. Quando jurei, era verdade. Tanto era verdade que eu queria fugir com você para o sertão. Só Deus sabe se era verdade! Mas vieram outras cousas... Veio este moço e eu comecei a gostar dele...

- Mas a gente jura é para isso mesmo; é para não gostar de mais ninguém...

- Deixa disso, Deolindo. Então você só se lembrou de mim? Deixa de partes...

- A que horas volta José Diogo?

- Não volta hoje.

- Não?

- Não volta; está lá para os lados de Guaratiba com a caixa; deve voltar sexta-feira ou sábado... E por que é que você quer saber? Que mal lhe fez ele?

Pode ser que qualquer outra mulher tivesse igual palavra; poucas lhe dariam uma expressão tão cândida, não de propósito, mas involuntariamente. Vede que estamos aqui muito próximos da natureza. Que mal lhe fez ele? Que mal lhe fez esta pedra que caiu de cima? Qualquer mestre de física lhe explicaria a queda das pedras. Deolindo declarou, com um gesto de desespero, que queria matá-lo. Genoveva olhou para ele com desprezo, sorriu de leve e deu um muxoxo; e, como ele lhe falasse de ingratidão e perjúrio, não pôde disfarçar o pasmo. Que perjúrio? Que ingratidão? Já lhe tinha dito e repetia que quando jurou era verdade. Nossa Senhora, que ali estava, em cima da cômoda, sabia se era verdade ou não. Era assim que lhe pagava o que padeceu? E ele que tanto enchia a boca de fidelidade, tinha-se lembrado dela por onde andou?

A resposta dele foi meter a mão no bolso e tirar o pacote que lhe trazia. Ela abriu-o, aventou as bugigangas, uma por uma, e por fim deu com os brincos. Não eram nem poderiam ser ricos; eram mesmo de mau gosto, mas faziam uma vista de todos os diabos. Genoveva pegou deles, contente, deslumbrada, mirou-os por um lado e outro, perto e longe dos olhos, e afinal enfiou-os nas orelhas; depois foi ao espelho de pataca, suspenso na parede, entre a janela e a rótula, para ver o efeito que lhe faziam. Recuou, aproximou-se, voltou a cabeça da direita para a esquerda e da esquerda para a direita.

- Sim, senhor, muito bonito, disse ela, fazendo uma grande mesura de agradecimento. Onde é que comprou?

Creio que ele não respondeu nada, nem teria tempo para isso, porque ela disparou mais duas ou três perguntas, uma atrás da outra, tão confusa estava de receber um mimo a troco de um esquecimento. Confusão de cinco ou quatro minutos; pode ser que dous. Não tardou que tirasse os brincos, e os contemplasse e pusesse na caixinha em cima da mesa redonda que estava no meio da sala. Ele pela sua parte começou a crer que, assim como a perdeu, estando ausente, assim o outro, ausente, podia também perdê-la; e, provavelmente, ela não lhe jurara nada.

- Brincando, brincando, é noite, disse Genoveva.

Com efeito, a noite ia caindo rapidamente. Já não podiam ver o Hospital dos Lázaros e mal distinguiam a ilha dos Melões; as mesmas lanchas e canoas, postas em seco, defronte da casa, confundiram-se com a terra e o lodo da praia. Genoveva acendeu uma vela. Depois foi sentar-se na soleira da porta e pediu-lhe que contasse alguma cousa das terras por onde andara. Deolindo recusou a princípio; disse que se ia embora, levantou-se e deu alguns passos na sala. Mas o demônio da esperança mordia e babujava o coração do pobre diabo, e ele voltou a sentar-se, para dizer duas ou três anedotas de bordo. Genoveva escutava com atenção. Interrompidos por uma mulher da vizinhança, que ali veio, Genoveva fê-la sentar-se também para ouvir "as bonitas histórias que o Sr. Deolindo estava contando". Não houve outra apresentação. A grande dama que prolonga a vigília para concluir a leitura de um livro ou de um capítulo, não vive mais intimamente a vida dos personagens do que a antiga amante do marujo vivia as cenas que ele ia contando, tão livremente interessada e presa, como se entre ambos não houvesse mais que uma narração de episódios. Que importa à grande dama o autor do livro? Que importava a esta rapariga o contador dos episódios?

A esperança, entretanto, começava a desampará-lo e ele levantou-se definitivamente para sair. Genoveva não quis deixá-lo sair antes que a amiga visse os brincos, e foi mostrar-lhos com grandes encarecimentos. A outra ficou encantada, elogiou-os muito, perguntou se os comprara em França e pediu a Genoveva que os pusesse.

- Realmente, são muito bonitos.

Quero crer que o próprio marujo concordou com essa opinião. Gostou de os ver, achou que pareciam feitos para ela e, durante alguns segundos, saboreou o prazer exclusivo e superfino de haver dado um bom presente; mas foram só alguns segundos.

Como ele se despedisse, Genoveva acompanhou-o até à porta para lhe agradecer ainda uma vez o mimo, e provavelmente dizer-lhe algumas cousas meigas e inúteis. A amiga, que deixara ficar na sala, apenas lhe ouviu esta palavra: "Deixa disso, Deolindo"; e esta outra do marinheiro: "Você verá." Não pôde ouvir o resto, que não passou de um sussurro.

Deolindo seguiu, praia fora, cabisbaixo e lento, não já o rapaz impetuoso da tarde, mas com um ar velho e triste, ou, para usar outra metáfora de marujo, como um homem "que vai do meio caminho para terra". Genoveva entrou logo depois, alegre e barulhenta. Contou à outra a anedota dos seus amores marítimos, gabou muito o gênio do Deolindo e os seus bonitos modos; a amiga declarou achá-lo grandemente simpático.

- Muito bom rapaz, insistiu Genoveva. Sabe o que ele me disse agora?

- Que foi?

- Que vai matar-se.

- Jesus!

- Qual o quê! Não se mata, não. Deolindo é assim mesmo; diz as cousas, mas não faz. Você verá que não se mata. Coitado, são ciúmes. Mas os brincos são muito engraçados.

- Eu aqui ainda não vi destes.

- Nem eu, concordou Genoveva, examinando-os à luz. Depois guardou-os e convidou a outra a coser. - Vamos coser um bocadinho, quero acabar o meu corpinho azul...

A verdade é que o marinheiro não se matou. No dia seguinte, alguns dos companheiros bateram-lhe no ombro, cumprimentando-o pela noite de almirante, e pediram-lhe notícias de Genoveva, se estava mais bonita, se chorara muito na ausência, etc. Ele respondia a tudo com um sorriso satisfeito e discreto, um sorriso de pessoa que viveu uma grande noite. Parece que teve vergonha da realidade e preferiu mentir.

Nada mais! Beijos!

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Novo blog, nova vida, novos problemas...
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